Poluição
Acrescente aos problemas da escassez de água e das demandas de uma população crescente um terceiro agravante: a poluição. Segundo certa estimativa, a quantidade de despejo líquido — doméstico e industrial lançada anualmente nos rios do mundo chega a 450 quilômetros cúbicos. Muitos rios e riachos são poluídos do começo ao fim.
Nos países em desenvolvimento, os esgotos poluem praticamente todos os grandes rios. Uma pesquisa envolvendo 200 dos maiores rios da Rússia revelou que 8 em cada 10 apresentavam níveis excessivamente altos de agentes bacterianos e viróticos. Muitos rios e lençóis freáticos de países altamente desenvolvidos, embora não sejam inundados por esgotos, são envenenados por substâncias tóxicas, incluindo os agrotóxicos. Praticamente no mundo todo, países costeiros lançam esgoto em águas rasas do litoral, poluindo seriamente as praias.
Portanto, a poluição da água é um problema global. Resumindo a situação, o livrete Water: The Essential Resource (Água: O Recurso Essencial), da Sociedade Audubon, diz: “Um terço da humanidade labuta num estado perene de doença ou de debilidade resultantes de água impura; outro terço é ameaçado pelo despejo na água de substâncias químicas cujos efeitos a longo prazo são desconhecidos.”
Água ruim, saúde ruim
Quando Dede, mencionada antes, disse que “a escassez de água está nos matando”, ela falava em sentido figurado. No entanto, a falta de boa água potável realmente mata, bem literalmente. Para Dede e milhões de outros como ela, não resta alternativa senão usar água de riachos e rios, muitos deles mais parecidos com um esgoto aberto. Não é de admirar que, segundo a OMS, a cada oito segundos uma criança é morta por uma doença ligada à água!
Nos países em desenvolvimento, segundo a revista World Watch, 80% das doenças são disseminadas pelo consumo de água contaminada. Agentes patogênicos transportados pela água e a poluição matam 25 milhões de pessoas por ano.
As doenças assassinas causadas pela água — como a diarréia, a cólera e o tifo — fazem o maior número de vítimas nos trópicos. No entanto, as doenças causadas pela água não são exclusividade dos países em desenvolvimento. Em 1993, nos Estados Unidos, 400.000 pessoas adoeceram em Milwaukee, Wisconsin, depois de terem bebido água encanada que continha um micróbio resistente ao cloro. No mesmo ano, micróbios perigosos infiltraram-se nos sistemas de água de outras cidades americanas — Washington, Nova York e Cabool (Missouri) — obrigando os moradores a ferver a água das torneiras.
Compartilhar os rios
Os interligados problemas da escassez de água, da demanda de populações crescentes e da poluição que causa doenças são fatores potenciais de tensões e conflitos. A água, afinal, não é um luxo. Disse um político na Espanha, às voltas com uma crise de água: “Não é mais uma luta econômica, mas sim uma luta pela sobrevivência.”
Um dos principais geradores de tensão é a necessidade de compartilhar as águas de um mesmo rio. Segundo Peter Gleick, pesquisador dos Estados Unidos, 40% da população mundial vive nas 250 bacias fluviais cujas águas são disputadas por mais de uma nação. Os rios Bramaputra, Indo, Mekong, Níger, Nilo e Tigre banham cada um vários países — que desejam captar desses rios o máximo possível de água. Já houve disputas.
Com a crescente demanda de água, tais tensões aumentarão. O vice-presidente do programa de Desenvolvimento Sustentável (ou, sem agressão ao meio ambiente), do Banco Mundial, prediz: “Muitas guerras deste século foram por causa do petróleo, mas as guerras do próximo século serão por causa da água.”